segunda-feira, 27 de maio de 2013

O guerreiro

” O guerreiro que já passou por grandes batalhas na vida, aprendeu a dormir acordado, ele precisa manter a atenção a todo momento da sua vida. Um guerreiro parece amar a todos, mas o amor do guerreiro é baseado no respeito. O respeito não é uma conquista externa, é algo que encontramos dentro de nós mesmos. Quando amamos, o respeito se torna uma qualidade, e também uma virtude. E por mais que um guerreiro destrua ele mesmo, o amor regenera, ele sempre renasce das cinzas. Um guerreiro não tenta parecer solitário, ele aprendeu a ser com o tempo. E quando ele alcança a solidão contemplativa, ele compartilha esse sentimento com o mundo através de várias formas. Um guerreiro é mais fraco do que podemos imaginar, e por ele parecer fraco, ele consegue manter toda a sua força através da humildade.” Rhenan Carvalho

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mergulhos !


Caminhada



Houve um tempo em que eu caminhei distraída
Pior que isso, andei inconsciente
Trilhei uma parte do meu caminho
Triste, angustiada, impaciente
Me perdi em meus pensamentos
No vazio, por uma ausência de carinho
Andei sem sentir meus passos
O coração sangrando e dormente
Fechei meus olhos para todos os presentes
Não vi a beleza da estrada
Tropecei facilmente
Olhei para mim, sem ver-me
Olhei para mim com olhos descrentes
Faltou a visão que agora tenho
De mim como dádiva
E passei a encontrar em cada minuto presentes
Abri meus olhos
Enxerguei as flores nascendo da terra
Florescendo apesar da seca
Sendo belas apesar dos espinhos
Entendi que a paz pode vencer a guerra
E que eu posso desfrutar do caminho
Abri meus olhos e enxerguei com a alma
Encontrei o Criador
Tomei consciência do seu mundo de amor
Meu coração enfim teve calma
Meu cérebro pôs-se de novo a pensar
Olhei mais uma vez o trajeto que fiz
E desta vez encontrei beleza 
Meu ser novamente a pulsar
Meu olhar tudo diz
Tomei consciência que a vida é leveza
E mais uma vez tornei a andar
Agradecendo a cada passada
A maravilha do ato de amar...
 Taiana Rossi

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sobre nossos DEMÔNIOS



Como anda a sua saúde? E a sua vida sexual? Você tem dinheiro suficiente para suprir as necessidades básicas? Não lhe falta amor, trabalho, tempo ou amizades verdadeiras? Poderíamos estender essa lista de perguntas quase ao infinito e tantas seriam as respostas quanto os seres humanos existentes. A multiplicidade se dá mesmo em relação a pessoas que estão em idêntica situação, seja ela de ordem afetiva, financeira, profissional. Quando entramos no campo da subjetividade começamos a espiar a cauda do demônio. No texto que você está lendo, esta palavra não tem nenhuma conotação religiosa. Ela é a denominação que dou a um fantasma que nos assombra, que nos faz ver o bom no lugar do ruim e o ruim no lugar do bom. O exemplo mais evidente é o de quem, confortavelmente instalado numa existência sem sobressaltos, acaba dando um jeito para tumultuar a serenidade de seus dias. Por nada. Porque o que conta, ao fim de tudo, não é o que temos, mas a relação que vamos estabelecendo com o que e quem nos cerca.

No filme O Monge, do diretor Dominik Moll, um dos personagens diz: “O demônio só tem o poder que lhe damos”. Ou seja, é na nossa imaginação que os monstros crescem e passam a ocupar todos os espaços, todos os escaninhos da mente. O que para mim é motivo de tormentos indescritíveis pode deixar meu vizinho completamente indiferente. E, no entanto, a situação é a mesma para ambos. Aqui é que reside o poder de destruição que isso pode causar. Não importa se somos donos de vastas terras e contas bancárias invejáveis. Se dentro de nós persistir o registro mental da pobreza, pobres continuaremos sendo. Visto com certo distanciamento, como não invejar aquele casal jovem, bonito e que todo ano faz fantásticas viagens? Aproxime um pouco mais a lupa e você poderá descobrir resquícios de insatisfação onde tudo parece flertar com o perfeito. Se não conseguimos colocar em perspectiva os nossos planos, o que há realmente de satisfatório neste e naquele momento, estaremos fadados a fracassar em nosso projeto de bem viver.

Podemos afastar o demônio sempre que somos capazes de reconhecer o movimento oscilatório de nossos próprios sentimentos. Hoje aqui, amanhã no outro extremo. Hoje amparados, amanhã órfãos, em relação a tantas coisas. Hoje merecedores do amor de alguém, amanhã tendo que se reconciliar com a própria solidão. Ah, a coragem de olhar a realidade, de aceitá-la e evitar o perigoso jogo das comparações. É por isso que me sinto tentado a crer que uma boa solução é viver entre nossos pares, onde o mais e o menos perdem a sua importância, uma vez que estamos amparados pelas similaridades. “Ser o que se pode é a felicidade”, disse o escritor português Valter Hugo Mãe. Esse modesto contentamento que advém da capacidade de admirar, de recrutar a alegria a partir do que temos. Estabelecer limites, reconhecendo quando algo é suficiente, pode ser o início de uma ótima relação com questões simples e corriqueiras, mas que se não forem bem resolvidas levam à bancarrota emocional.

Tudo se resume à capacidade de ver com clareza. De retirar de nossos olhos essas vendas que são as máscaras sociais. Não precisamos corresponder a nenhum estereótipo, a nenhum modelo. Os demônios abrem a porta da nossa casa sempre que nos sentimos insatisfeitos com o que temos, mesmo estando abarrotados. Lembro aqui do poder que a igreja católica exerceu sobre as almas singelas da Idade Média. Usando a coerção, pregadores mal-intencionados aprisionaram com seus dogmas criaturas que só queriam a liberdade de pensar. Ameaçavam com castigos corporais terríveis e a danação eterna quem se rendesse ao Príncipe das Trevas. Hoje, a maioria de nós já não se deixa amedrontar por essa linguagem de jardim da infância. Pelo menos não os que fazem uso da lógica e da razão. Mas continuamos, isso sim, sendo tentados por outras espécies que habitam o mundo escuro do nosso inconsciente. Precisamos praticar uma espécie de exorcismo branco para ver com lucidez a real estatura do que nos aterroriza. Sua força diminuirá consideravelmente e seremos capazes de expulsar essa visita indesejável que veste a nossa roupa e se apropria de nossa voz.

Não há outros demônios senão os que alimentamos com o nosso medo.